Rodrigo Garcia e o incômodo retorno do municipalismo ao jogo político paulista

Enquanto parte da classe política ainda insiste em campanhas construídas a partir de gabinetes climatizados da capital, o nome de Rodrigo Garcia volta a circular justamente por ter feito o caminho inverso. Ex-governador de São Paulo, Garcia reaparece no debate eleitoral não por acaso, mas porque representa um modelo de gestão e articulação política que muitos subestimaram: o municipalismo real, vivido no território e não apenas no discurso.
Durante seu mandato, Rodrigo Garcia foi acusado por críticos de “abandonar” o Palácio dos Bandeirantes. A crítica, no entanto, revela mais sobre quem a faz do que sobre quem governou. Garcia trocou o conforto institucional pela estrada, priorizando o interior paulista, dialogando com prefeitos, vereadores e lideranças locais. Em um estado onde a força política nasce nos municípios, essa escolha não foi um erro — foi estratégia.
A recente informação de que o ex-governador teria chapa garantida pela federação Progressistas–União Brasil apenas confirma o óbvio: Rodrigo Garcia nunca saiu do jogo. Ao contrário, manteve-se articulado, com trânsito político e espaço consolidado no campo da centro-direita. Sua possível candidatura não nasce de improviso, mas de uma leitura clara do cenário paulista: campanhas não se vencem apenas na capital, vencem-se no conjunto do estado.
O movimento pró-Rodrigo, hoje amplamente difundido por deputados estaduais, também não é casual. Ele surge como alternativa natural caso o governador Tarcísio de Freitas decida disputar a Presidência da República — hipótese cada vez menos especulativa e mais concreta. Aliado direto de Tarcísio, Garcia representa continuidade administrativa, previsibilidade política e experiência de gestão, três ativos raros em tempos de polarização vazia.
No plano nacional, o anúncio precoce da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência parece mais uma jogada de ocupação de espaço do que uma definição definitiva. Nos bastidores, cresce a percepção de que Tarcísio de Freitas é o nome mais viável para unificar o campo bolsonarista, sem gerar resistências significativas. Se esse movimento se confirmar, o impacto em São Paulo será imediato — e Rodrigo Garcia passa a ocupar posição central nesse rearranjo.
O que incomoda parte do establishment político é justamente isso: Rodrigo Garcia não representa ruptura histriônica nem discurso ideológico raso. Representa gestão, articulação e presença territorial. Seu retorno ao debate eleitoral evidencia uma mudança silenciosa, porém poderosa: a política paulista pode estar, novamente, sendo construída de baixo para cima, das cidades menores para o centro do poder.
Ignorar esse movimento é um erro. Subestimá-lo, um risco ainda maior.
Por Kayo Henrique Azevedo


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