Festas Rave em Pirassununga: polêmica, ausência de licenças ambientais e parcerias misteriosas

A Fazenda Bons Ventos, na zona rural de Pirassununga, teria, segundo relatos, arrendada por um grupo de empresários para a realização de eventos de grande porte de festas raves e música eletrônica. As imagens são das redes sociais, dentre elas dos organizadores do evento em suas redes sociais.
Desde novembro de 2025, os organizadores passaram a publicar em suas redes sociais — inclusive em vídeos — que haviam sido recebidos “de braços abertos” pela Prefeitura de Pirassununga. Em diversas postagens, afirmaram que tinham o apoio do prefeito e que já estavam iniciando projetos em parceria com a administração municipal. Em algumas dessas publicações, inclusive, nomes de autoridades locais, como o do prefeito e de seu irmão, chegaram a ser marcados nas páginas dos organizadores.
Nas próprias redes sociais, os organizadores afirmaram que pretendem fincar raízes na Fazenda Bons Ventos. Segundo eles, o local seria um “portal”, um espaço de conexão e transcendência onde dizem se sentir em casa e que pretendem transformar no maior centro de eventos de música eletrônica e festas rave do Brasil.
Essas declarações passaram a chamar a atenção de moradores da cidade. Em meio aos comentários nas redes sociais, um frequentador dessas festas chegou a ironizar a situação, perguntando se os organizadores já teriam “dado um mel” para o prefeito, a fim de conseguir as licenças necessárias.

Outros frequentadores dessas festas também fizeram comentários perguntando se a prefeitura já tinha conhecimento do projeto, demonstrando surpresa, já que esse tipo de festa rave costuma gerar diversos problemas nas cidades onde é realizado.
E então surge uma pergunta inevitável: se tantas cidades da região já proibiram ou impediram a realização de festas rave justamente por causa dos impactos e problemas que esses eventos costumam gerar, por que Pirassununga estaria de portas abertas para esse tipo de empreendimento?
Quando os próprios organizadores afirmam que teriam sido recebidos “de braços abertos” e que contam com apoio do município, outra pergunta também surge:
Que tipo de apoio seria esse?
As dúvidas não ficaram apenas nas redes sociais. A sociedade começou a se mobilizar e o caso chegou ao Ministério Público. Foi apresentada uma denúncia por moradores da cidade e duas representações feitas por deputados estaduais questionando a realização desses eventos.

Diante das denúncias e questionamentos apresentados, o Ministério Público instaurou inquérito para apurar os fatos e verificar se todas as exigências legais estão sendo cumpridas, para que as providências cabíveis sejam tomadas.
E outras perguntas começam a surgir naturalmente. Os próprios organizadores afirmaram nas redes sociais que já estariam desenvolvendo projetos em parceria com a Prefeitura de Pirassununga.
Mas que projetos seriam esses exatamente?
Esses projetos estão formalizados?
Foram protocolados oficialmente na prefeitura?
Existem contratos ou documentos públicos que detalhem essas parcerias?
Quem autorizou esses projetos?
Existe algum processo administrativo aberto tratando dessas iniciativas?
Entre os pontos levantados também está a possibilidade de que festas de grande porte estejam sendo autorizadas apenas com alvarás simples, sem a análise completa de impactos ambientais e estruturais exigida para eventos desse tamanho.
E se as festas realmente possuem todas as licenças necessárias, como afirmou o prefeito em entrevista, outras perguntas precisam ser feitas.
Quais são exatamente essas licenças?
Quais órgãos emitiram essas autorizações?
Esses documentos estão disponíveis para consulta pública?
Essas licenças já foram oficialmente concedidas ou ainda estão em análise?
Se ainda não foram concedidas, como as festas já estão sendo amplamente divulgadas e com ingressos sendo vendidos?
A preocupação se intensifica pelo fato de a Fazenda Bons Ventos estar localizada em área de APP (Área de Preservação Permanente), com presença de fauna silvestre, nascentes, poços e fossas. O local também fica próximo ao canil municipal, que abriga centenas de cães, gatos e cavalos resgatados de abandono e maus-tratos.
O volume extremo de som e a movimentação intensa de pessoas nessas festas podem causar sofrimento intenso nesses animais. O barulho constante e prolongado pode provocar estresse severo e pânico, podendo inclusive levar alguns deles à morte.
O impacto dessas festas também é direto nos serviços públicos. Eventos desse porte irão atrair milhares de participantes e vão sobrecarregar a segurança pública, o sistema de saúde e os atendimentos emergenciais da Santa Casa de Misericórdia de Pirassununga.

Em janeiro deste ano, durante participação em um programa de rádio local, o prefeito foi questionado por uma moradora sobre as festas rave previstas para a cidade. Na ocasião, ele confirmou que tinha conhecimento do projeto e afirmou que a prefeitura estava apoiando a iniciativa.
Segundo o prefeito, os empresários teriam sido apresentados a ele por uma amiga pessoal, que atualmente ocupa o cargo de secretária de Cultura no município de Brotas. Ainda de acordo com o chefe do Executivo, trata-se de empresários “muito sérios” e experientes. Ele destacou que a produtora responsável teria participado da organização de grandes eventos nacionais, incluindo trabalhos relacionados ao Rock in Rio.
Na mesma entrevista, o prefeito afirmou que as festas teriam todas as licenças necessárias e que poderiam trazer benefícios econômicos para Pirassununga, movimentando hotéis, supermercados, comércios e estabelecimentos da cidade.
No entanto, esse argumento não se sustenta na prática. O modelo dessas festas é imersivo: os participantes permanecem dentro do local do evento durante praticamente todo o período, consumindo alimentos, bebidas e outros produtos vendidos dentro da própria estrutura organizada pelos promotores.
Isso significa que, na prática, grande parte do público não circula pela cidade nem consome no comércio local.
Outra questão levantada pela população diz respeito à arrecadação de impostos para o município. A venda de milhares de ingressos é realizada por plataformas e portais de vendas que operam em todo o Brasil. Nesse cenário, não é possível verificar com precisão quantos ingressos foram realmente vendidos nem qual foi o valor efetivamente declarado, o que levanta questionamentos sobre a correta arrecadação de tributos.
Diante da crescente mobilização popular e das denúncias apresentadas, o presidente da Câmara Municipal, vereador Wallace Bruno, apresentou e protocolou um projeto de lei que propõe a proibição da realização de festas rave em fazendas e áreas rurais do município.
A proposta também estabelece regras mais rigorosas para eventos desse tipo dentro da área urbana, exigindo fiscalização adequada, licenciamento completo e cumprimento de normas ambientais, sanitárias e de segurança.
O projeto será votado nas próximas semanas pelos vereadores de Pirassununga.
A população terá a oportunidade de acompanhar os votos dos vereadores, já que as sessões da Câmara são transmitidas ao vivo pelas redes sociais e pelo site oficial do Legislativo municipal.
Ou seja: cada vereador terá que deixar claro, diante da cidade inteira, qual lado escolheu.
Se o projeto for aprovado, ele será encaminhado ao Poder Executivo — isto é, ao prefeito — que terá então a prerrogativa de sancionar ou vetar a lei.
Nesse momento, as posições ficarão ainda mais evidentes.
No entanto, é importante lembrar que a investigação conduzida pelo Ministério Público não depende da votação do projeto de lei nem da decisão do prefeito. Caso sejam constatadas irregularidades ou descumprimento da legislação, os órgãos de fiscalização e o próprio Ministério Público têm a prerrogativa e a obrigação de agir para impedir a realização dos eventos.
A proposta apresentada pelo vereador tem como objetivo principal estabelecer regras claras para o futuro, evitando que situações semelhantes se repitam e que eventos desse tipo sejam organizados de forma irregular, especialmente em áreas rurais e ambientalmente sensíveis.
De um lado estarão os interesses da cidade, dos moradores de Pirassununga, das famílias, do meio ambiente e do interesse coletivo.
Do outro, os interesses das festas rave e dos negócios privados que giram em torno delas.
Diante de todos esses questionamentos, a sociedade agora cobra algo simples do poder público: transparência, responsabilidade e zelo com a população e com o futuro da cidade.
Em nossas próximas edições, onde fica a Fazenda Bom Ventos e suas proximidades; mortes entre outros ocorridos em Festas Rave, em cidades paulista e mineira.


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