Promessa ou ilusão? Vereador do PSD, comemora “bom atendimento” no SAEP enquanto ETE continua abandonada

Recentemente, o vereador Leandro Del Tedesco, o Gigio (PSD) teceu elogios ao superintendente do SAEP. O motivo? Ter sido bem recebido na autarquia ao cobrar melhorias para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), de onde saiu com a promessa de que a situação seria resolvida “em dias”.
Vale lembrar que o esgoto parcialmente sem tratamento foi revelado por este portal, após denúncias graves de populares e de servidores do próprio órgão. Parlamentares estiveram no local, comprovaram o cenário. O Ministério Público acionou a Polícia Militar Ambiental que teria constatado irregularidades, sendo um relatório enviado para o MP e CETESB.

O vereador “Gigio” que outrora ouviu da gestão municipal que o governo dispensava o apoio do seu partido, agora desfaz-se em elogios públicos apenas por ter sido atendido de forma cordial.
Mais do que a simpatia no atendimento, o que a população espera são resultados. O vereador deveria voltar à ETE Laranja Azeda para ver a realidade de perto: fotos exclusivas obtidas por nossa reportagem nesta quarta-feira, 1º de julho, provam que absolutamente nada mudou.

Continuamos investigando o caso. Nossa equipe realizou um levantamento técnico detalhado sobre a construção da ETE, ouvindo engenheiros e especialistas na área de saneamento.
No final do DOSSIÊ, VEJA UMA GALERIA DE FOTOS DA E.T.E. LARANJA AZEDA
DOSSIÊ:
A Saga, a Ruína e a Ameaça de Concessão do SAEP, começando pelo abandono da ETE – Laranja Azeda
Dos bastidores políticos ao projeto executivo: como a união de planejamento técnico e captação de recursos viabilizou a Estação de Tratamento de Esgoto Laranja Azeda de Pirassununga — e como o abandono atual esconde uma possível tentativa de privatização (Concessão) do SAEP.
PARTE 1: A Construção da Esperança (A Retrospectiva)
Capítulo I: O Início e a Visão Estratégica (Gestão João do Sal)
A história da ETE Laranja Azeda começa com um passo fundamental de planejamento urbano e ambiental: a garantia do espaço físico.
- A Aquisição do Terreno: Sob a gestão do ex-prefeito João do Sal, a prefeitura deu o pontapé inicial ao adquirir a área estratégica na região do bairro rural Laranja Azeda. Sem essa desapropriação/compra pioneira, o município não teria onde estruturar o tratamento daquela bacia.
- O Projeto Executivo: Com a área garantida, o Serviço de Água e Esgoto de Pirassununga (SAEP) abriu a licitação para o Projeto Executivo da estação. Esse certame foi vencido por um renomado escritório de engenharia de São Carlos, a SHS – Engenharia Ambiental, polo conhecido pela excelência técnica na área de recursos hídricos e saneamento. Esse projeto foi a base matemática e estrutural de tudo o que viria a seguir.
Capítulo II: A Virada Política e o Retorno Técnico (Gestão Ademir Lindo)
Após as eleições, com a vitória da gestão do prefeito Ademir Lindo, o cenário ganha um novo fôlego técnico e administrativo com o retorno da equipe técnica e a recondução do engenheiro João Alex Baldovinotti à Superintendência do SAEP. O desafio mudou de patamar: era hora de tirar o projeto técnico da SHS de São Carlos do papel e transformá-lo em concreto e saneamento real para a população.
Capítulo III: A Engenharia Financeira (O Nó dos Recursos)
O grande mérito dessa fase foi viabilizar a construção em um momento em que os recursos para saneamento eram escassos e disputados no país. A execução da ETE foi fruto de uma composição financeira inteligente e ágil:
- Aporte Municipal Direto: O prefeito Ademir Lindo alocou um montante expressivo de pouco mais de R$ 2 milhões provenientes diretamente do tesouro da Prefeitura Municipal.
- O Apoio Federal (CEF): Para complementar o orçamento necessário, a administração costurou uma parceria com o governo federal, viabilizando uma parte menor do montante via financiamento e repasses da Caixa Econômica Federal (CEF).
- A Licitação da Obra e Inauguração: Com o dinheiro carimbado e em caixa, o SAEP lançou a grande licitação pública para a contratação da empresa construtora, dando início físico à ETE para tratar o esgoto produzido no Distrito Sede de Pirassununga. Finalmente pronta, a ETE Laranja Azeda foi inaugurada em dezembro de 2012, em um evento histórico que contou com a presença do então governador Geraldo Alckmin.
PARTE 2: A Realidade Devastadora (O Abandono)
Capítulo IV: O Cenário da Ruína (Evidências de 1º de julho)
O que era para ser um legado perpétuo de saneamento para Pirassununga transformou-se, infelizmente, em um monumento ao descaso. Registros fotográficos feitos no dia 1º de julho de 2026 revelam que a ETE Laranja Azeda foi entregue a um estado de absoluto e vergonhoso abandono. As imagens são irrefutáveis: o mato alto e a vegetação invasora tomaram conta de todas as unidades de tratamento.
- A Invasão da Vegetação: Em uma das unidades de tratamento biológico (verificável nas fotos image_7ad3e2.png e image_7ad43e.png), o mato cresceu tanto que quase encobre completamente as tubulações de aeração e os guarda-corpos amarelos. É tecnicamente impossível que qualquer processo de tratamento biológico eficiente esteja ocorrendo com essa densidade de vegetação invasora obstruindo o fluxo.
- Decantadores e Caixas Entupidos: As imagens image_7ad720.png e image_7ad763.png mostram caixas de passagem, tanques e canais repletos de vegetação rasteira, lodo seco e detritos. A estrutura de engenharia que deveria gerenciar o fluxo de esgoto parece um matagal esquecido.
- Áreas Operacionais Inacessíveis: A área que deveria abrigar os equipamentos operacionais e permitir a circulação segura dos operadores (mostrada na foto image_7ad7bb.png) está totalmente tomada por capim alto, inviabilizando qualquer rotina de manutenção preventiva ou corretiva.
Capítulo V: O Crime Ambiental e o Desperdício de Dinheiro Público
Este cenário de abandono traz duas consequências gravíssimas para o município:
- Desperdício de Recursos: Aquela engenharia financeira complexa de mais de R$ 2 milhões, captada com tanto esforço pelas gestões passadas, foi literalmente jogada no lixo. As estruturas de concreto e os equipamentos periféricos estão se deteriorando precocemente devido à falta crônica de cuidado.
- Risco Urgente à Saúde Pública: Uma ETE abandonada é uma bomba-relógio. Se o esgoto não está recebendo o devido tratamento técnico, ele corre o risco iminente de ser despejado in natura ou semidegradado diretamente no Córrego Laranja Azeda, contaminando o solo, a fauna local e o lençol freático.
PARTE 3: O Verdadeiro Alvo – O “Modus Operandi” do Sucateamento Induzido
Capítulo VI: A “Cortina de Fumaça” por Trás do Mato Alto
Para quem olha de fora, a situação da ETE Laranja Azeda parece “apenas” incompetência ou preguiça administrativa. No entanto, técnicos experientes que já vivenciaram essa exata realidade em outras cidades da região — como ocorreu historicamente em municípios da região — enxergam uma manobra muito mais perversa, manjada e perigosa: o sucateamento induzido para fins de concessão.
Esse “teatro” administrativo de cartas marcadas segue sempre um roteiro previsível:
- O Abandono Deliberado: Interrompe-se de propósito a manutenção das estações e redes. Deixa-se o mato crescer, as bombas quebrarem e a estrutura apodrecer aos olhos do público.
- A Fabricação do Caos: A população, sofrendo com os reflexos do abandono, passa a reclamar legitimamente. Cria-se, então, o consenso forçado na opinião pública de que “o poder público não dá conta de gerenciar o saneamento”.
- A Contratação da Consultoria: Com o sistema colapsado pelo próprio governo, a administração contrata um escritório de engenharia ou consultoria terceirizada para emitir um laudo encomendado.
- O Diagnóstico Falacioso: O relatório final fatalmente conclui: “Ao longo dos próximos 30 anos, o município não terá suporte financeiro para manter o serviço, realizar as manutenções corretivas, preventivas e arcar com as ampliações. A única saída viável é abrir uma licitação para a Concessão dos Serviços Públicos de Saneamento.”
Capítulo VII: Em Defesa do SAEP – Saneamento Não é Mercadoria
A destruição e o abandono da ETE Laranja Azeda são a “cortina de fumaça” e o pretexto perfeito que os defensores da privatização precisavam para tentar entregar o SAEP à iniciativa privada.
Entregar uma autarquia sólida significa, historicamente, o aumento abusivo de tarifas para o cidadão comum (já que empresas privadas visam o lucro em primeiro lugar), a perda da autonomia do município sobre a sua própria água e a desvalorização do corpo técnico de servidores públicos que construíram a história do saneamento local.
Se o SAEP teve competência técnica para planejar, licitar, buscar recursos e construir a ETE Laranja Azeda (fiscalizando tudo desde o projeto executivo da SHS até a entrega final em 2012), a autarquia tem total capacidade de mantê-la funcionando hoje. O que falta não é dinheiro ou engenharia; é gestão, vontade política e respeito ao patrimônio do povo.
Conclusão: Uma briga que é de todos
Este dossiê deixa de ser um mero relatório de engenharia para se tornar um sinal de alerta máximo para a população, para os servidores e para a Câmara Municipal de Pirassununga. Deixar a ETE Laranja Azeda morrer é o primeiro passo para privatizar o SAEP.
Diante do abandono ‘intencional’ da manutenção e dos sérios riscos ambientais envolvidos, cabe uma representação imediata ao Ministério Público Ambiental. Se a negligência for confirmada, o caso se configura como Improbidade Administrativa e Crime Ambiental. Quando o calo da lei aperta, o mato da ETE é cortado num piscar de olhos!












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