Festa Rave. Cães seriam usados para expulsar, ferir ou matar animais da fauna silvestre!

Pirassununga entra na contagem regressiva para a realização da primeira grande festa rave, prevista para os dias 2 e 3 de maio, na Fazenda Bons Ventos, com duração estimada de 28 horas ininterruptas. O evento rave integra um projeto com diversas festas rave já programadas e ingressos em venda, com público estimado entre 20 e 25 mil pessoas.
Enquanto estruturas de grande porte já começam a ser montadas, cresce a preocupação sobre impactos que vão muito além do entretenimento. A festa rave prevê som de alta intensidade por 28 horas ininterruptas, iluminação contínua, grande movimentação de público, além de efeitos pirotécnicos e fogos de artifício (Lei Municipal proíbe no âmbito do município de Pirassununga, a soltura de fogos de artifícios), fatores que podem afetar diretamente animais sob tutela pública e a fauna silvestre da região.
A área abriga diversidade significativa de animais silvestres — inclusive espécies raras — que permanecerão expostas a esse ambiente extremo.
Canil municipal praticamente ao lado do evento rave
Um dos pontos que mais chama a atenção da população é a localização do Canil Municipal, situado praticamente ao lado da fazenda onde ocorrerão os eventos rave. No local vivem centenas de cães e gatos resgatados, além de equinos, todos sob responsabilidade direta da Prefeitura de Pirassununga e sem qualquer possibilidade de remoção ou fuga.
Segundo fontes administrativas, chegou ao conhecimento da reportagem que os organizadores da festa rave, com aval da Prefeitura e por meio de laudo assinado, pretendem utilizar dois cães para realizar o afugentamento da fauna silvestre.
As ações estariam previstas para ocorrer três dias antes da festa rave, novamente na véspera e poucas horas antes do início da festa rave, que deverá durar cerca de 28 horas ininterruptas.
A medida chama atenção por um aparente paradoxo: o estudo de impacto de vizinhança apresentado pelos organizadores e aprovado pela Prefeitura afirmaria não haver presença relevante de animais na área, indicando inclusive que eles teriam sido retirados. Ainda assim, prevê-se o uso de cães justamente para expulsar animais que oficialmente não estariam ali.
Para especialistas e ambientalistas, a medida contraria princípios básicos da legislação ambiental brasileira, levantando questionamentos éticos, técnicos e jurídicos sobre o processo de autorização, inclusive quanto à possibilidade de autuações.
Do “cão Orelha” ao sofrimento anunciado
O caso do “cão Orelha”, que chocou o país após agressões covardes contra um animal indefeso, reforçou a aplicação rigorosa da legislação de proteção animal, especialmente após o endurecimento das penas previstas para maus-tratos, que incluem reclusão e multa.
Agora, afirmam protetores e ambientalistas, o sofrimento pode não ser visível — mas é plenamente previsível.
Há duas situações distintas denunciadas: a primeira, física e visível, envolvendo o afugentamento com cães de caça soltos em área ambiental, que naturalmente atacarão animais silvestres e possivelmente poderão matá-los; a segunda, invisível, porém não menos grave, relacionada aos animais confinados que serão submetidos ao impacto sonoro extremo durante 28 horas ininterruptas de festa rave.
Animais confinados e fauna silvestre sem qualquer possibilidade de defesa estariam sendo expostos, de forma consciente, covarde e previamente conhecida, a situações de extremo estresse.
Críticos classificam a situação como uma forma velada, porém igualmente cruel e covarde de maus-tratos, já que os impactos são conhecidos antecipadamente.
Segundo juristas ligados à causa animal, tanto os organizadores quanto a Prefeitura Municipal e a Secretaria de Meio Ambiente poderão ser responsabilizados, inclusive na esfera criminal, caso se comprove a exposição deliberada de animais a sofrimento evitável.
Pressão política e mobilização regional crescem
A mobilização já ultrapassa Pirassununga. ONGs, protetores independentes e cidadãos da cidade e de toda a região passaram a acompanhar o caso, que começa a ganhar repercussão fora do município e pode alcançar dimensão nacional.
Deputados estaduais e federais já manifestaram preocupação junto ao Ministério Público e à Prefeitura. Fontes indicam que novos parlamentares com atuação mais ativa na defesa animal e ambiental devem intensificar medidas judiciais, representações em órgãos ambientais e possivelmente realizar visitas presenciais ao local nas próximas semanas.
Expectativa por posicionamento da promotoria
Denúncias formais já foram apresentadas, e agora cresce a expectativa por um posicionamento da promotoria responsável, que deverá se manifestar nos próximos dias.
Para muitos moradores, o debate deixou de ser apenas sobre a realização de uma festa rave e passou a representar um teste de responsabilidade pública diante da proteção animal e ambiental.
À medida que a data se aproxima, aumenta a cobrança social por respostas: depois de tanta indignação nacional contra maus-tratos, qual será a postura das autoridades diante de um sofrimento considerado previsível?
Foto da área onde ocorrerá o evento – Reprodução do facebook


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