O MAIOR GOLPE DA HISTÓRIA DE PIRASSUNUNGA: Um ano e quatro meses de impunidade, omissão e caos

Em 12 de fevereiro de 2025, a Prefeitura Municipal de Pirassununga sofreu o maior golpe financeiro de sua história. Fruto de uma condução administrativa amadora e sem o devido rigor técnico, o prefeito Fernando Lubrechet autorizou o pagamento de R$ 2.181.878,66 — verba que deveria custear o Vale-Alimentação dos servidores públicos — para uma conta fraudulenta, utilizando sua própria “Chave J”.
Passados cerca de um ano e quatro meses, absolutamente nada aconteceu. Quando a Câmara Municipal tentou pautar a cassação do chefe do Executivo, ele recorreu ao Poder Judiciário, que até o momento seguem travada na Justiça.
Os fatos que geram estranheza
À época, o episódio foi marcado por contornos alarmantes:
- Humilhação dos servidores: Trabalhadores municipais passaram pelo constrangimento de não conseguir pagar suas compras em supermercados locais, já que o benefício não foi depositado na data pactuada.
- Oito dias de silêncio: O golpe ocorreu em 12/02/2025, mas o Boletim de Ocorrência só foi registrado às 10h41 do dia 20/02/2025. Estranhamente, o registro não partiu do prefeito, mas sim de uma servidora pública que agiu por iniciativa própria para se resguardar.
- Ocultação pública: O caso só se tornou público semanas depois, graças a uma investigação da imprensa local. Os princípios constitucionais da Transparência e da Publicidade foram completamente ignorados pela administração.
- Discurso padrão: Em diversas ocasiões, o prefeito e seu então procurador-geral, Tiago Varisi, foram às rádios locais alegar que o caso corria sob sigilo policial e que os culpados seriam encontrados. Até agora, o resultado é zero.
Diante disso, uma pergunta se impõe: até que ponto a demora de oito dias para registrar o B.O. e acionar as autoridades sepultou as chances de recuperar o dinheiro público?
Em consulta a ferramentas de inteligência artificial sobre o tema, a resposta é categórica:
“A rapidez na reação a um golpe financeiro é crucial para o bloqueio de contas antes que o saldo seja pulverizado. Notificações imediatas via Mecanismo Especial de Devolução (MED) e o registro célere do B.O. aumentam drasticamente as chances de sucesso. O MED permite rastrear e bloquear fundos mesmo que já tenham sido transferidos para outras contas, monitorando-as por até 90 dias.”
Como gestor público, o prefeito não pode alegar ignorância sobre um princípio tão básico: contra fraudes bancárias, o tempo é o fator determinante. Fica a dúvida: qual a real intenção por trás dessa negligência?
O valor atualizado: R$ 414 mil jogados no lixo
Hoje, cruzando a marca de mais de um ano do ocorrido, consultamos especialistas financeiros para projetar o tamanho do prejuízo real aos cofres públicos.
Se os R$ 2,18 milhões tivessem sido poupados ou aplicados em uma operação conservadora de CDI (com base em simulações do Banco BTG Pactual), o montante atualizado já passaria de R$ 2.595.562,01. Em suma: o município perdeu o valor principal e deixou de arrecadar cerca de R$ 414 mil em rendimentos.
A confissão do Procurador Municipal
Durante os trabalhos da Comissão Especial de Inquérito (CEI), um dos depoimentos mais avassaladores foi o do então procurador-geral do município, Tiago Varisi. Questionado diretamente se o prefeito teria culpa no episódio, Varisi foi taxativo:
“Sim, o prefeito tem culpa, eu tenho culpa! A ‘Chave J’ é intransferível, e o prefeito a transferiu.”
O ex-procurador reafirmou a culpabilidade de Fernando Lubrechet repetidas vezes em emissoras de rádio. Se o próprio homem de confiança jurídica do prefeito assume o erro, como absolvê-lo de negligência e omissão? Vale lembrar que os prefeitos respondem pelos atos de seus cargos comissionados — e a tesoureira que operou o sistema na ocasião era uma indicação direta de Lubrechet.
O caos na cidade por falta do recurso
Enquanto mais de R$ 2,2 milhões evaporaram, Pirassununga enfrenta colapsos crônicos em setores essenciais. Esse dinheiro poderia ter sido utilizado para:
- Garantir o 13º salário dos servidores: No fim de 2025, o funcionalismo viveu a angústia de declarações do prefeito de que o benefício não seria pago na data legal. Os trabalhadores só foram salvos porque o Poder Legislativo antecipou a devolução de sobras do duodécimo à Prefeitura.
- Manutenção da frota da Saúde: Dezenas de veículos municipais seguem sucateados, prejudicando o transporte de pacientes que dependem de exames e consultas em outras cidades.
- Coleta de lixo: O valor seria suficiente para comprar de 4 a 5 caminhões de lixo novos, livrando a cidade de um contrato milionário de locação onde, ao final do vínculo, os veículos não ficam para o município.
Comissão Processante ou “Festa dos Parças”?
Após uma surpreendente decisão judicial que anulou a primeira Comissão Processante, uma nova frente de investigação foi aberta na Câmara. Contudo, a composição atual acendeu o sinal de alerta na cidade, sendo recebida com comemoração nos bastidores do Poder Executivo.
Paralelamente, ecoa na cidade o silêncio do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) em Pirassununga, cuja atuação recente tem sido considerada tímida e apática por grande parte dos cidadãos, se comparada a gestões anteriores.
Para endossar o cenário de deboche com as instituições, o prefeito Fernando Lubrechet voltou a faltar ao depoimento oficial perante a comissão parlamentar. Em qualquer esfera jurídica séria, a ausência de um réu notificado resulta em revelia ou condução coercitiva. Mas, em uma comissão supostamente blindada por aliados, o Executivo parece não demonstrar qualquer preocupação.
Xeque-Mate ou Conivência?
A pergunta que a população de Pirassununga faz após a apuração e a entrega do relatório do vereador Wellington Cintra é única: os parlamentares cumprirão a lei e aplicarão o “xeque-mate” para afastar o prefeito? Para tanto, o Poder Judiciário precisa acelerar sua análise e, devolver ao legislativo para que os trabalhos continuem.
Nenhum órgão pode demonstrar conivência, preterindo a clareza da Lei de Infrações Político-Administrativas em troca das benesses do poder?
Imagem – Reprodução do Facebook


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