Processos de automação na indústria apresentam tendência de crescimento
O investimento em automação já é uma realidade para parte das indústrias brasileiras, e a tendência é que o setor incorpore esse tipo de solução cada vez mais. Segundo estimativa do Instituto de Desenvolvimento Corporativo do Brasil (IDC), os gastos com automação inteligente devem superar US$ 214 milhões, representando um crescimento de 17% em comparação com o ano passado.
O cenário é atribuído ao crescente interesse das empresas em adotar tecnologias para otimizar os processos produtivos. Sistemas que utilizam ferramentas de planejamento de recursos são exemplos desse tipo de solução. O MRP, do inglês Manufacturing Resource Planning, permite à indústria calcular, de forma antecipada, qual será a quantidade de material necessária em um determinado prazo.
O setor industrial brasileiro também já sabe o que é ERP e os benefícios do sistema. Do inglês Enterprise Resource Planning, a ferramenta possibilita a automação de todos os processos de gestão empresarial. Na prática, as informações e os dados de diferentes setores são inseridas num único local, o que tende a agilizar os processos e facilitar a tomada de decisões.
As ferramentas para automação industrial podem incluir, ainda, rede neural artificial (RNA), interface homem máquina (IHM), sistema de controle distribuído (DCS), entre outros. O gerente de Tecnologias da Bosch, empresa de engenharia e tecnologia alemã, Antonio Edson Pereira explica como essas soluções inteligentes alavancaram a produtividade.
“Com o uso da IA conseguimos reduzir, significativamente, o volume de falso rejeito no exame final de nossos produtos”, declarou à imprensa, detalhando que na área administrativa, a tecnologia permitiu planejar e controlar os estoques de forma eficiente.
Oportunidades e desafios para o setor nacional
O conceito de Indústria 5.0 está sendo debatido e se caracteriza pela colaboração entre humanos e máquinas. Nele, tecnologias como Internet das Coisas (IoT), Inteligência Artificial, robôs colaborativos e manufatura aditiva são empregadas com o objetivo de tornar os processos de fabricação mais sustentáveis e inclusivos.
Na Indústria 4.0, o setor mantém seu foco na coleta massiva de dados e na automação de tarefas. A mudança, entretanto, indica um mercado mais interessado em aprimorar as habilidades humanas através da tecnologia. Integrar os aspectos cognitivos e criativos dos trabalhadores com a automação é o objetivo principal.
Doutor em Engenharia de Controle e Automação pela USP e professor na Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), Ricardo Janes, explica que a automação não precisa ser um processo isolado e pode contemplar a integração de todos os setores. Para ele, esse modelo já está sendo implementado.
No entanto, o Brasil ainda é considerado emergente, e o investimento na área precisa aumentar para alcançar grandes líderes mundiais como Alemanha, Japão e Estados Unidos.
O coordenador de educação das Faculdades da Indústria, Vicente Gongora, explica que ainda há espaço para o crescimento da automação nas indústrias brasileiras. “Muitas delas enfrentam desafios para adotar a automação, como a falta de mão de obra qualificada e o alto custo dos investimentos em tecnologia”, disse em entrevista à imprensa.
Gongora defende que os processos de automação não podem ser considerados como uma solução única para todos os problemas da indústria. Para ele, a tecnologia é uma ferramenta que deve ser empregada para auxiliar no aumento da eficiência e na redução de custos.


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