A SAGA DO “UNIVERSALIZA”: QUANDO A ÁGUA DE PIRA VIRA “COMMODITY” DESCOLADA

CRÔNICA – Por Cincinato – Especial para o RN
Meu caro leitor pirassununguense, você já reparou como certos nomes pomposos na política têm o incrível dom de transformar o nosso café da manhã em indigestão?
Pois bem. Depois de tentar nos convencer de que enchentes históricas na Bacia do Andrezinho se resolvem com vasinhos de suculentas e cactos no CRAS — numa demonstração de engenharia botânica de fazer inveja à NASA —, a nossa esclarecida gestão municipal resolveu apresentar um novo coelho tirado da cartola: o tal do “Universaliza SP”.
Gosto do nome. “Universaliza”. Soa como exploração espacial, física quântica ou um megafestival de rock em São Paulo. Mas, traduzindo do dialeto burocrático-Faria-Lima para o bom e velho ‘pirassununguês‘, o negócio é bem mais simples: é a famosa manobra do “deixa quebrar que a gente vende”.
A tática é mais antiga que andar para frente, mas ainda tem gente que acha que o povo aqui amarra cachorro com linguiça. Funciona assim:
- Passo Um: Você pega a nossa autarquia, o Nosso SAEP — que até julho de 2022 era o orgulho da terra, referência no Estado, funcionando redondinho —, e simplesmente cruza os braços.
- Passo Dois: Larga a ETA (água) sem manutenção, deixa a ETE (esgoto) entregue às traças, abandona a ETL (lodo) à própria sorte e gasta R$ 16,1 milhões na drenagem do Andrezinho para a água continuar batendo no joelho do cidadão.
- Passo Três: Com a infraestrutura em cacos, você faz pose de coitado, suspira fundo olhando para o horizonte e diz: “Ah, que pena… O SAEP não aguenta mais. Vamos ter que chamar o Universaliza SP para nos ‘salvar’!”
Que beleza de enredo! É quase poético, não fosse o detalhe de que a conta dessa mágica vai cair todinha no boleto de água da sua casa.
A promessa do tal programa é “universalizar” o saneamento. Ora, faça-me o favor! O SAEP já universalizou o atendimento em Pirassununga há décadas com o suor, o empenho e os impostos de gerações de moradores! O que precisamos não é de um terno alinhado da Capital vindo nos ensinar a cobrar tarifa com lucro privado embutido; precisamos é de bomba funcionando, filtro limpo e engenharia de verdade na rua!
Transformar o “Nosso SAEP” em ativo de fundo de investimento internacional é a piada do ano. Se a moda pega, daqui a pouco vão querer “universalizar” a coxinha da lanchonete da praça, o chopp do bar ou até a Academia da Força Aérea.
Se o objetivo era criar um “plano de salvação”, erraram o alvo. O pirassununguense gosta da sua água limpa, da sua autarquia pública e da sua autonomia municipal. O recado da praça pública é claro: o SAEP tem dono, tem história e não precisa de “universalização” de fachada para continuar sendo O Nosso SAEP.


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