Pirassununga. Semana Nenete. O Fim do Tijuco Preto: Reflexo de um Governo sem Passado e sem futuro

A tradicional Semana Nenete da Música Sertaneja, criada há cerca de 30 anos, ganhou força e expressão máxima durante o governo do prefeito Ademir Alves Lino.
Ao lado de seu secretário de Cultura e Turismo, Roberto Donizete Bragagnolo, a iniciativa nasceu com o propósito de enaltecer a cultura caipira e a vida na zona rural.
Para isso, foi criado um espaço denominado “Tijuco Preto”, uma área que abrigava ranchos construídos, comércios típicos e uma igrejinha. Ao longo das décadas, esse local tornou-se a atração principal do evento.
No entanto, após a pandemia, as gestões seguintes não tiveram o mesmo compromisso na condução desse belíssimo encontro sertanejo, que historicamente contava com o apoio total do município, de entidades locais e das comunidades católicas da zona rural.
Por ironia do destino, as eleições de 2025 levaram ao poder um nome novo: Fernando Luchetti, do Partido Novo. Durante sua campanha, o então candidato discursava veementemente contra a “velha política”, afirmando que não queria carregar heranças do passado.

Nesta semana de junho de 2026, às vésperas de mais uma edição do evento, o prefeito cumpriu sua promessa de rejeitar o “velho” da pior forma possível.
Por determinação de sua assinatura — ou por motivos ainda obscuros —, 90% da estrutura histórica do “Tijuco Preto” foi demolida.
No final da tarde desta terça-feira, 9 de junho, apenas a ‘igrejinha’ permanecia de pé, enquanto máquinas e caminhões da própria municipalidade recolhiam os entulhos do que antes era patrimônio cultural.
Poderão até alegar que o local sofria com invasões de moradores de rua. Porém, cabe o questionamento: onde estava a Secretaria de Segurança Pública? Onde estava a segurança do município para proteger o patrimônio?
Onde fica a soberania de uma população ordeira, trabalhadora e honesta que sempre prestigiou o evento?
Ao retornarem para a 26ª Semana Nenete da Música Sertaneja, os cidadãos encontrarão um espaço frio, colapsado por um governo que, na pressa de apagar o passado, mostra que não tem nenhum projeto de futuro para o presente.
Alegria e Tristeza
Um funcionário da Secretaria de Obras que trabalhou esta semana na demolição do ‘Tijuco Preto’ conversou com a reportagem deste portal, sob a condição de anonimato por receio de represálias.

Ele revelou que participou da construção do local no passado, lembrando que o término da obra foi marcado por uma grande confraternização. No entanto, neste mês de junho de 2026, com lágrimas nos olhos, ele se viu obrigado, por dever do ofício, a ajudar a demolir o que ergueu ao lado de companheiros — alguns hoje aposentados, outros já falecidos.


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