Pirassununga. Dois pesos e duas medidas, da Feira do Agricultor e o da Gastronomia

Neste terceiro mandato do governo Lula, o Brasil atravessa um cenário que guarda fortes semelhanças com a fase final do governo de Dilma Rousseff, momento que antecedeu o seu impeachment. Vivemos um contexto de exceção: grandes empresas enfrentam processos de falência e empresários retiram seus investimentos do país, como demonstra o fechamento em massa de grandes lojas e agências bancárias.
É possível traçar um paralelo direto entre a crise nacional e a realidade vivenciada no município de Pirassununga, que hoje se encontra em desvantagem gritante quando comparado a municípios vizinhos como Leme, Santa Cruz da Conceição, Descalvado e Porto Ferreira.
Em um ano e meio de gestão local, nada foi concretizado. A população já não suporta o descaso de um governo que falha em entregar o básico em setores vitais como saúde, educação e infraestrutura.

Um exemplo claro desse abandono é a Feira do Agricultor (foto acima), evento tradicional que ocorre há mais de seis anos, todas as quartas-feiras. A feira funcionava com grande público na Plataforma da FEPASA (no Centro Cultural Dona Belila), das 15h30 até por volta das 19h30 ou 20h. No entanto, com as reformas da plataforma (parte do telhado), os produtores foram deslocados e deixados sem qualquer suporte da administração. Abandonados, muitos feirantes estão desistindo de expor suas barracas.
Em contrapartida, este mesmo governo promoveu a criação da Feira da Gastronomia. Trata-se de um evento em que cerca de 75% dos comerciantes são oriundos de outros municípios — profissionais que vendem na cidade, captam os recursos da população pirassununguense e vão embora sem reinvestir um único centavo no comércio local. A situação dos nossos produtores rurais é oposta: eles compram insumos na cidade e mantêm o dinheiro girando na economia local.
A disparidade no tratamento ficou evidente na última sexta-feira, 28 de agosto, durante a edição da Feira da Gastronômica realizada no CFE Médici (apresentada como uma extensão das comemorações do aniversário de Pirassununga). Para este evento, a administração pública teria disponibilizado palco, dois shows, instalou mesas, cadeiras e estrutura completa, atraindo grande público.
Fica o questionamento: por que não dispensar esse mesmo tratamento à Feira do Agricultor? Por que não investir em palco, som, shows e acomodações adequadas para valorizar os produtores da terra? Não se trata de ser contra eventos ou shows, mas sim de repudiar a política de dois pesos e duas medidas. Aplica-se um peso positivo para quem vem de fora lucrar e ir embora, e um peso de desamparo para os agricultores que vivem e consomem no município.
Pirassununga vive hoje uma realidade paralela e caótica:
- Saúde: Falta de transporte para pacientes e escassez constante de medicamentos.
- Educação: Múltiplas carências na rede municipal de ensino, com falta de itens básicos de alimentação (como feijão) e de higiene (como álcool em gel e sabão).
- Zeladoria Urbana e Infraestrutura: Serviços inexistentes, vias repletas de buracos e obras inacabadas do Serviço de Água e Esgoto (SAEP).
Administrações anteriores, mesmo enfrentando adversidades extremas como a pandemia da COVID-19, entregaram resultados consideravelmente superiores. O atual governo já soma 20 meses de gestão sem registrar avanços ou evolução, travado inclusive pela incapacidade de conduzir processos licitatórios. É a instalação de um cenário de caos em Pirassununga.


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