Cidadão pirassununguense envia carta de desabafo diante dos descasos da atual administração

CARTA ABERTA AO SR. REDATOR DO JORNAL REPÓRTER NARESSI
Edição 01 — A indignação de quem ama Pirassununga
Ao Sr. Redator do Repórter Naressi,
Sr. Redator, vou omitir o meu nome verdadeiro porque não sou político, nunca quis sê-lo e não tenho qualquer vaidade pessoal neste processo. O que me move é unicamente o amor por Pirassununga.
Mas, para que seus leitores possam identificar esta coluna a cada dez dias (se me permitires), o senhor pode me chamar simplesmente de Cincinato — como aquele cidadão romano que deixou seu retiro apenas para ajudar a colocar a sua terra em ordem.
Pedindo a devida licença e espaço neste conceituado veículo de imprensa, escrevo-lhe esta carta aberta com o coração pesado, mas com a consciência de quem não pode mais se calar.
Sou filho de Pirassununga. Nascido e criado nesta terra, formei-me em Administração de Empresas nos Estados Unidos, onde trabalhei por longos anos, até transferir minha carreira para São Paulo, atuando em uma multinacional. Após uma vida inteira de trabalho, aposentei-me e fiz o que meu coração sempre pediu: voltei para a minha querida Pirassununga para viver os melhores anos da minha vida.
Seguidamente, voando sobre a nossa região ou caminhando pelas nossas ruas, o que vejo não é a Pirassununga pujante que deixei no passado. O que vejo hoje é uma cidade destroçada, mal administrada e abandonada à própria sorte.
Como cidadão que conhece gestão e eficiência, causa-me profunda tristeza e indignação ver o estado a que reduziram o nosso município. O serviço público agoniza, a infraestrutura desmorona e o nosso orgulho — o SAEP — opera no seu limite, vítima de um descaso continuado e da ausência de comando técnico.
A Prefeitura como um todo escancara a falta de zeladoria e planejamento: são vias públicas esburacadas, matagais tomando conta de bairros e praças, falhas na iluminação e gargalos na saúde e no atendimento ao cidadão. O serviço público municipal agoniza por completa falta de diretriz administrativa.
O ápice dessa derrocada não é segredo para ninguém. O Poder Judiciário — tanto o Tribunal de Justiça de São Paulo quanto a Justiça local — já apontaram de forma clara a gravidade dos fatos e o desmazelo administrativo que levaram ao lamentável episódio do desaparecimento de mais de R$ 2 milhões dos cofres públicos no início do ano passado. A Justiça cumpriu o seu papel. Agora, a bola está no campo da Câmara Municipal. Nos próximos meses, os 11 Senhores Vereadores terão em mãos o relatório da Comissão Processante para o julgamento da cassação.
Não se trata de disputa partidária, trata-se de resgatar a dignidade de Pirassununga. Cada um dos 11 parlamentares precisa entender o peso histórico da caneta que carrega. Votar contra a apuração e contra a responsabilização é assinar embaixo do abandono da nossa cidade.
Como disse o filósofo Sêneca: “Não é porque as coisas são difíceis que nós não ousamos; é porque nós não ousamos que elas são difíceis”.
Pirassununga precisa voltar a ousar, a ter ordem e a exigir respeito. Convido a população pirassununguense a acompanhar de perto cada passo deste processo. A história cobrará o posicionamento de cada representante do povo nesta Câmara.
Aos Senhores Vereadores, façam o que é certo pela nossa terra.
Atenciosamente,
Um Cidadão Pirassununguense que ama esta terra.
(Aposentado, Administrador de Empresas /’Cincinato’)


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