De Esperança a Pesadelo: A Crise Administrativa que Assola Pirassununga

O que começou como uma promessa de esperança nas eleições de 2024 transformou-se em um verdadeiro pesadelo para o município de Pirassununga. Durante a campanha, o então candidato a prefeito pelo Partido Novo, Fernando Luchetti, baseou seu discurso na premissa de que havia estudado a cidade por quatro anos e que seria o nome ideal para “colocar o município nos trilhos”. No entanto, a realidade se mostrou oposta: antes mesmo de assumir o cargo, o chefe do Executivo iniciou embates com o Poder Legislativo, cenário que se estendeu após sua posse em 1º de janeiro de 2025.
Com apenas 42 dias de governo, a gestão foi atingida por uma grave crise: o pagamento irregular de cerca de R$ 2,2 milhões, apontado como golpe e investigado pela Câmara Municipal. Paralelamente, uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) apurou a contratação e o pagamento de funcionários comissionados que sequer prestavam serviços no município e, atualmente uma CEI apura possíveis irregularidades no transporte sanitário (de pacientes para outros municípios). Desde então, a administração pública entrou em um declínio contínuo.
Na saúde, o transporte sanitário colapsou e o atendimento nas unidades básicas tornou-se precário devido à falta crônica de medicamentos, insumos básicos, materiais de higiene e até papel higiênico. Pacientes que dependem de transporte para tratamentos de alta complexidade em outras cidades, como Barretos e Jaú, enfrentam o abandono em rodovias devido a vans e ônibus constantemente quebrados.
A educação e a infraestrutura seguem o mesmo rastro de abandono. Falta itens básicos de higiene, carnes estragadas, a falta de funcionários…, deixando a rede municipal sob o esforço de gestores e professores que, embora dedicados, trabalham desmotivados.
Nas ruas, a Secretaria de Zeladoria mostra-se ineficiente: após 18 meses de governo, a cidade está tomada por mato alto, buracos e escuridão, ignorando o fato de que milhares de lâmpadas de LED compradas com dinheiro público continuam guardadas em depósitos.
O descaso atinge também o setor ambiental e o SAEP (Serviço de Água e Esgoto de Pirassununga). Funcionários da autarquia, sob condição de anonimato, denunciam a precariedade no tratamento de água e o abandono das Estações de Tratamento de Esgoto (ETE), cujos efluentes não estariam sendo tratados como deveria ser e, desta forma são despejados a céu aberto, conforme denúncias recentes.
Além disso, o aterro sanitário enfrenta problemas graves: o chorume sem tratamento estaria sendo lançado diretamente no Córrego Laranja Azeda, desaguando no Rio Mogi Guaçu. A situação já gerou multas por parte da Cetesb e pode acarretar sanções federais e prejuízos financeiros bilionários ao município. Para agravar o cenário da autarquia, furto nunca ocorrido no almoxarifado foi registrado pelo SAEP.
No âmbito judicial, a Terceira Vara do Fórum de Pirassununga condenou recentemente o município, a empresa Le Card e o Banco Rendimento pelo pagamento indevido de cerca de R$ 545 mil, cada uma, diante ocorrido em 2025. Embora caiba recurso, a sentença inicial obriga o município a ressarcir R$ 1,09 milhão aos próprios cofres públicos — levantando o questionamento se a conta final recairá sobre o bolso do contribuinte pirassununguense ou se o ordenador de despesas será responsabilizado diretamente.
Recentemente, a Justiça liberou a retomada dos trabalhos da Comissão Processante, garantindo o direito de ampla defesa para posterior julgamento do prefeito Fernando Luchetti.
Enquanto isso, a Câmara Municipal é criticada por uma postura de inércia. Parlamentares que no passado adotavam uma postura combativa de fiscalização hoje se mantêm omissos ou, em alguns casos, limitam-se a tecer elogios desmedidos ao Executivo.


Pirassununga. Lar dos Idosos Nossa Senhora de Fátima recebe usina solar de geração própria
Polícia Militar Rodoviária intensifica fiscalização e traz orientações para o feriado de 9 de julho
Semana Seu Geraldo de Música começa neste domingo e transforma Leme em palco do choro e da música brasileira
EXCLUSIVO: Integra da sentença que Justiça autoriza continuidade de CP, onde prefeito de Pirassununga enfrenta risco de cassação
GCM de Porto Ferreira realiza grande apreensão de drogas e captura procurado pela Justiça no fim de semana
EX-DEMUTRAN. Gilson Lani fala dos projetos que ficaram e de seu Bar Sodinha em Leme