Principal item de um aterro sanitário é o poço de monitoramento das águas do subsolo

A gestão ambiental e a operação do Aterro Sanitário de Pirassununga envolvem rigorosos mecanismos de controle técnico para assegurar a proteção do meio ambiente e da saúde pública. Dentre os diversos dispositivos de engenharia exigidos para o funcionamento regular de um aterro, a rede de poços de monitoramento do lençol freático se destaca como a principal ferramenta de proteção e salvaguarda dos recursos hídricos subterrâneos da região.

Imagem acima: Estrutura típica de um poço de monitoramento de lençol freático. Fonte: GeoFortes
O Papel Estratégico dos Poços de Monitoramento
Os poços de monitoramento de águas subterrâneas (conhecidos tecnicamente como PMs) são perfurações tubulares instaladas em pontos estratégicos no perímetro do aterro sanitário. Sua função primária é atuar como um sistema de alarme preventivo contra potenciais vazamentos de necrochorume ou percolado (chorume) — o líquido escuro e altamente poluidor gerado pela decomposição do lixo urbano combinado com a água das chuvas.
A instalação dessas estruturas segue diretrizes geotécnicas estritas:
- Poço de Montante (Jusante Hidrogeológica Negativa): Instalado em ponto mais elevado em relação ao sentido de fluxo da água subterrânea, serve para medir a qualidade natural da água antes de qualquer influência do aterro (ponto de referência ou “branco”).
- Poços de Jusante: Perfurados nos pontos para onde a água do subsolo flui. Caso ocorra qualquer falha na impermeabilização das mantas (PEAD) da base do aterro, as amostras coletadas nesses poços indicarão a variação de parâmetros químicos e biológicos imediatamente.
Rigor Técnico: Acreditação Inmetro e Normas da Cetesb
A eficiência e a validade jurídica do monitoramento ambiental do Aterro Sanitário de Pirassununga dependem da conformidade com os órgãos reguladores estaduais e nacionais:
1. Homologação e Acreditação pelo Inmetro (CRL/ABNT NBR ISO/IEC 17025)
A contratação de laboratórios para análise das amostras de água deve exigir estritamente a acreditação junto à Coordenação Geral de Acreditação do Inmetro (CGCRE). A norma ISO/IEC 17025 garante que o laboratório possui competência técnica, equipamentos calibrados, reagentes certificados e metodologias rastreáveis, evitando diagnósticos falso-positivos ou contaminações cruzadas nas amostras.
2. Periodicidade e Parâmetros Exigidos pela Cetesb
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) estabelece, por meio das licenças ambientais (Licença de Operação) e de normas técnicas específicas (como as normas ABNT NBR 13895 e NBR 15495), a frequência e o escopo de amostragem.
- Frequência de Coleta: As amostragens costumam ser realizadas com periodicidade trimestral ou semestral, conforme o plano de monitoramento aprovado pelo órgão ambiental.
- Parâmetros Analisados: As análises laboratoriais avaliam dezenas de substâncias indicadores de contaminação por chorume, tais como:
- Físico-químicos: pH, condutividade elétrica, turbidez, temperatura e Potencial Redox (ORP).
- Inorgânicos e Nutrientes: Nitrogênio amoniacal, nitritos, nitratos, cloretos e sulfatos.
- Metais Pesados: Chumbo, cádmio, cromo total, ferro, manganês, mercúrio e zinco.
- Compostos Orgânicos: Demanda Química de Oxigênio (DQO), Carbono Orgânico Total (COT) e compostos orgânicos voláteis (VOCs).
Importância para a Comunidade de Pirassununga
A manutenção contínua e transparente dessa rotina de amostragem garante a integridade dos aquíferos que abastecem as propriedades rurais e mananciais da região. O cumprimento rigoroso das exigências da Cetesb e do Inmetro assegura que o Aterro Sanitário de Pirassununga opere em conformidade com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010), mitigando passivos ambientais e resguardando a saúde pública da população.


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