Prática de atividades físicas cresce 19% entre idosos e reforça busca por longevidade

Foto: Magnific
Crescimento dos exercícios entre pessoas com mais de 60 anos acompanha maior atenção á suplementação e envelhecimento saudável.
A preocupação em chegar à velhice com mais saúde e autonomia tem levado mais pessoas acima dos 60 anos a incluírem a atividade física na rotina. No estado de São Paulo, a parcela desse público que pratica exercícios passou de 33%, em 2019, para 52%, em 2025, um avanço de 19 pontos percentuais, segundo levantamento da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade).
A pesquisa, realizada por meio de entrevistas remotas com moradores de todas as regiões paulistas, indica que a mudança está relacionada a uma percepção maior sobre os benefícios do autocuidado e da preservação da funcionalidade física.
Essa busca por um envelhecimento mais saudável ganha ainda mais importância diante das mudanças demográficas previstas para o país. Projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, em 2070, 37,8% da população brasileira terá 60 anos ou mais. O grupo deve chegar a 75,3 milhões de pessoas, ante 33 milhões registrados em 2023.
Diante desse processo de envelhecimento da população, manter o corpo ativo aparece entre as recomendações para preservar a saúde ao longo dos anos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), pessoas idosas devem incluir na rotina atividades que trabalhem equilíbrio, coordenação e fortalecimento muscular, com o objetivo de reduzir o risco de quedas e contribuir para a saúde.
A orientação é realizar entre 150 e 300 minutos semanais de atividade física aeróbica de intensidade moderada ou de 75 a 150 minutos quando a intensidade for vigorosa. A OMS também alerta que longos períodos de comportamento sedentário entre idosos estão associados a maior risco de problemas como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer.
O interesse desse público por uma rotina mais ativa já pode ser percebido na procura por diferentes modalidades. Dados da TotalPass, coletados entre julho de 2022 e julho de 2025, mostram que, entre os usuários com mais de 60 anos, estão entre as atividades mais buscadas pilates, treino funcional, musculação, alongamento, dança, HIIT e boxe. São Paulo concentra 65% desses usuários, seguido pelo Rio de Janeiro, com 16,7%, e Minas Gerais, com 4,7%.
A procura por suplementos para saúde também aparece entre os hábitos adotados por parte da população mais velha. Levantamento da Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar), de 2026, aponta que 42,4% dos consumidores com mais de 60 anos utilizam esses produtos.
A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) destaca que vitaminas e minerais são alguns dos suplementos essenciais para o metabolismo e para um envelhecimento saudável. A alimentação deve ser a principal fonte desses nutrientes, enquanto a suplementação pode ser considerada quando é identificada uma ingestão insuficiente.
Cálcio, magnésio, ferro e ômega 3 também merecem atenção especial
O cálcio e o magnésio estão entre os minerais com maior prevalência de inadequação de consumo na população brasileira, segundo a publicação do SBGG. No caso do cálcio, níveis insuficientes podem reduzir a densidade óssea e contribuir para o desenvolvimento da osteoporose.
Já em quadros mais acentuados de deficiência de magnésio, sintomas como dormência, formigamento, contrações e cãibras musculares podem surgir. A SBGG aponta que a baixa presença de alimentos fontes do mineral na dieta brasileira pode dificultar o alcance das recomendações diárias. Quando existe indicação de suplementação, ele pode ser encontrado em diferentes formas, como dimalato e glicinato de magnésio.
Outro mineral citado pela entidade é o ferro. Níveis insuficientes podem estar relacionados a fraqueza, fadiga e dificuldade de concentração, além de prejuízos às funções cognitiva e imunológica, ao desempenho físico e à regulação da temperatura corporal.
A SBGG também inclui os ácidos graxos poli-insaturados entre as estratégias estudadas para favorecer um envelhecimento saudável. Nesse grupo estão os ácidos graxos ômega 3, especialmente o ácido eicosapentaenoico (EPA) e o ácido docosahexaenoico (DHA).
Ao explicar para que serve o ômega 3 EPA e DHA, a instituição aponta que esses compostos apresentam efeitos neuroprotetores associados à plasticidade sináptica e à neurogênese, processos relacionados à capacidade do cérebro de formar e reorganizar conexões. A publicação também relaciona esses mecanismos à preservação das funções cognitivas e destaca as propriedades anti-inflamatórias desses ácidos graxos.
Apesar disso, a ingestão alimentar de ômega 3 ainda é baixa no país. A SBGG cita o estudo Omega-3 World Map: 2024 Update, que classificou o consumo desses ácidos graxos por fontes alimentares no Brasil como “muito baixo”. A suplementação aparece, nesse contexto, como uma possibilidade para aumentar a oferta do nutriente quando houver necessidade individual.
Vitaminas D, A e E também são indispensáveis para o envelhecimento saudável
Entre as vitaminas abordadas pela SBGG, a vitamina D recebe atenção especial devido à frequência de deficiência entre pessoas mais velhas. Estudos citados pela entidade estimam que aproximadamente 15% dos idosos apresentam deficiência do nutriente.
Níveis insuficientes desta vitamina podem contribuir para a perda de massa óssea e para o desenvolvimento de osteopenia e osteoporose. O nutriente também participa de funções relacionadas aos músculos, ao sistema imunológico, ao coração e ao sistema nervoso.
A vitamina A também aparece entre os nutrientes importantes nessa fase da vida. De acordo com a SBGG, sua deficiência pode aumentar a suscetibilidade a infecções, especialmente do trato respiratório, além de comprometer a resposta imunológica e a barreira intestinal. Como o consumo diário de alimentos fontes pode ser um desafio para algumas pessoas idosas, a suplementação pode ser avaliada de forma complementar quando a ingestão não é suficiente.
Já a vitamina E é abordada pela entidade principalmente por sua relação com a saúde ocular. O estudo Age-Related Eye Disease Study (AREDS), citado pela SBGG, observou redução de 25% no risco de progressão da degeneração macular relacionada à idade entre participantes com alto risco que utilizaram uma formulação contendo vitamina E combinada a outros nutrientes antioxidantes, como zinco e cobre.
O resultado não significa, entretanto, que a suplementação dessas vitaminas seja indicada de forma geral para todas as pessoas idosas. A necessidade, as doses e as combinações devem considerar a alimentação, possíveis deficiências e as condições de saúde de cada pessoa.


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