Pirassununga. Aposentado é socorrido após ser ‘consumido’ pelo fogo. Mulher foi presa em flagrante

Imagem acima é do frasco de álcool em um dos cômodos da casa.
Nas sombras densas e gélidas da zona norte, onde a esperança parece ter sido esquecida há muito tempo, desdobrou-se mais um capítulo de ruína e carne retalhada. Sob o sol doentio do início da tarde de domingo, a vida de Luciene Garcia Duarte, de 52 anos — uma alma à deriva, devorada pelo vazio do desemprego — foi sepultada sob o peso de algemas e de um ato terrível. O número 1346 da Rua Osvaldo Osolini, na Vila Esperança, deixou de ser um lar para se tornar o cenário soturno de uma tragédia terrível.
Por volta do meio-dia e quarenta, quando o ar pesava com o cheiro sufocante do desespero, os Cabos Dantas e Castro cruzaram a névoa das ruas na viatura I-36305. Haviam sido convocados para testemunhar o rastro de dor deixado no imóvel: com perversidade fria, Luciene incinerara a própria alma ao atear fogo em seu companheiro, Luzeleph Neves Ferreira, um aposentado de 62 anos cujos dias felizes há muito haviam se esvaído

Foto acima, acesso ao imóvel.
O chamado via rádio sussurrava sobre a presença de uma figura sombria rolando pelo interior da residência, como um fantasma arrastando pela chama ainda fumegante. Enquanto a carcaça agonizante de Luzeleph era transportada às pressas pela ambulância rumo aos corredores frios da Santa Casa, a equipe policial deparou-se com o horror médico: 80% do corpo do idoso fora transformado em carne viva. À beira do abismo final, seu sopro de vida esvaía-se lentamente, sob a ameaça iminente da morte.
Na residência impregnada pelo cheiro de fuligem e álcool, Luciene encarou os policiais. Com o olhar turvado pelo torpor da bebida e das substâncias que consumira ao lado do próprio algoz, negou a chama libertada, tentando cobrir com mentiras a discussão que selara o destino daquele homem.
Contudo, entre as paredes decrépitas daquele terreno, uma testemunha guardava a memória do pesadelo. Relatou que, na quietude morta das nove e meia da manhã, o ar entre o casal azedou em violência. Viu Luciene desferir um golpe contra o rosto de Luzeleph, derrubando sua figura frágil contra o chão frio. Com mãos impiedosas, a mulher virou sobre o corpo dele o líquido inflamável de um frasco de álcool. Segundos depois, um ruído seco e abafado ecoou pelo ar, seguido pelo vislumbre apavorante do velho homem em chamas, transformado em uma tocha humana de pura dor.

Na foto acima a acusada chegando no plantão policial.
Sozinha na urgência do horror, a testemunha tentou sufocar o fogo infernal com um lençol imundo, ajudando o aposentado a rastejar como um verme em direção à água gélida do chuveiro. Enquanto a agressora assistia a tudo com frieza atroz, negando-se a prestar auxílio ou acompanhar o agonizante, a testemunha implorou pelo resgate e caminhou ao lado do corpo estragado até o hospital.
Conduzida ao plantão após a intervenção policial, Luciene passou pelo olhar clínico dos médicos, que constataram a ausência de qualquer ferimento em sua pele — como se o próprio fogo a tivesse poupado para que carregasse seu castigo intacto. Não carregava ilícitos nos bolsos, apenas o peso invisível de um crime vil.
No plantão policial, perante a gravidade dos fatos narrados, o delegado Marcelo Marques de Oliveira ratificou a prisão em flagrante por tentativa de homicídio. E assim, nas profundezas da escuridão judiciária, Luciene permanece encarcerada, acorrentada ao destino que ela mesma acendeu.
Devido as imagens da vítima serem fortes, este portal de notícias deixar e exibi-las.


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