Das suculentas ao Sertão do Andrezinho: o SAEP descobriu a solução da macrodrenagem!

A CRÔNICA DA SEMANA
Por Cincinato | Pirassununga/SP — 22 de Outubro de 2026
Há coisas em Pirassununga que nem a engenharia hidráulica mais avançada consegue prever. Quando a população do Cidade Jardim, da Vila São Pedro e da Rua 6 de Agosto aguardava ansiosamente por respostas técnicas sobre a obra de R$ 16,1 milhões na Bacia do Córrego Andrezinho, a autarquia de água e esgoto nos surpreende com uma tacada de mestre e pura visão de futuro: uma oficina gratuita de cultivo de cactos e suculentas.
Isso mesmo que você leu, meu caro leitor! Enquanto a enxurrada desce rasgando o asfalto, o SAEP e o SENAC se uniram no CRAS da Vila São Pedro para ensinar o cidadão a plantar vegetação típica do Agreste Pernambucano e do Deserto do Atacama, tudo como parte do “Projeto de Trabalho Social” da grande obra de macrodrenagem!
É de uma genialidade sem precedentes!

Afinal de contas, para que gastar neurônios calculando a Equação de Manning, dimensionando aduelas celulares retangulares ou trocando a ponte de madeira do Quartel para evitar o “efeito rolhão”? A autarquia já entendeu a mensagem dos céus: se a galeria de R$ 16,1 milhões subdimensionada não conseguir escoar os 40 m3/s de água da chuva e a enchente afogar o bairro… a gente simplesmente transforma Pirassununga no Sertão do Ceará!
Imagine a cena: no primeiro temporal de verão, enquanto a caixa de inspeção estufa o pavimento e a enxurrada vem subindo a calçada, o morador da Vila São Pedro não precisa mais entrar em pânico. Ele pega o seu simpático cacto espinhoso, recém-cultivado no vaso de cerâmica às quartas-feiras, coloca na janela e contempla a sabedoria da administração pública.
O cacto, coitado, habituado a sobreviver com duas gotas de orvalho por ano no meio do semiárido brasileiro, vai olhar para o volume de água do Córrego Andrezinho transbordando na porta da sala e pensar: “Mas que diabo de seca é essa no Sudeste do Brasil?!”
Quem precisa de jardim de chuva, bacia de retenção ou vegetação de contenção de encosta quando se pode ter 20 vagas exclusivas para aprender a regar mandacaru? É a verdadeira sustentabilidade preventiva! Se a obra de drenagem não tirar a água da sua rua, o cacto — em tese — vai absorver tudo por fotossíntese!
Resta saber se na próxima etapa do “Trabalho Social” da macrodrenagem o SAEP vai distribuir camelos para a população atravessar a Rua 6 de Agosto em dias de temporal, ou se nos ensinarão a tirar água de juazeiro enquanto a ponte de madeira segura o remanso.

Enquanto isso, entre um espinho e uma suculenta, o povo de PiraCity segue aprendendo que, por aqui, quando o assunto é engenharia e planejamento urbano, a única coisa que realmente seca… é a nossa paciência.


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