Colonoscopia: Indústria traz melhores câmeras e outras evoluções para exame

IA aumenta em 20% detecção de lesões; novas câmeras ampliam campo de visão e preparo fica menos desconfortável
A Inteligência Artificial (IA) aumentou em 20% a taxa de detecção de adenomas em colonoscopias, segundo meta-análise publicada pela revista Gastrointestinal Endoscopy. O estudo de 2024 reuniu 28 pesquisas randomizadas com 23.861 participantes.
Os pesquisadores afirmam que a tecnologia ajuda a identificar e destacar áreas que requerem análise mais detalhada, o que agiliza decisões clínicas sobre o tratamento.O levantamento constatou também redução de 55% na taxa de lesões não identificadas com o uso da tecnologia assistiva.
O Brasil passou a contar com esses recursos em setembro de 2024. No mesmo mês, nos Estados Unidos, a agência governamental Food and Drug Administration (FDA) aprovou o primeiro sistema de endoscopia em nuvem.
3º tipo de câncer mais comum no país é detectado por colonoscopia
No Brasil, são estimados 45.630 novos casos por ano de câncer do intestino, também conhecido por colorretal, conforme informações do Instituto Nacional do Câncer (Inca). É o terceiro tipo mais comum de câncer no país, ficando atrás do câncer de mama e o de próstata, e é diagnosticado por meio da colonoscopia.
Ainda segundo os dados do Inca, 70% dos casos concentram-se nas regiões Sul e Sudeste. A primeira apresenta taxa de 26,46 casos por cem mil habitantes, enquanto a segunda registra 28,75 por cem mil habitantes.
De acordo com pesquisadores em proctologia da Universidade de São Paulo (USP), até 95% dos pacientes têm chance de cura quando o câncer do intestino é identificado em estágio inicial. Para isso, a indústria tem focado em colonoscópios multicâmera, cromoscopia digital e ampliação do campo de visão.
A consultoria Grand View Research projeta que o mercado global de colonoscópios, que identificam o câncer colorretal, saltará dos atuais US$ 2,4 bilhões para US$ 3,9 bilhões em 2030.
Campo de visão quase dobra com uso de multicâmeras
Parte das novas tecnologias é utilizada para aumentar a definição dos colonoscópios para revelar alterações sutis no tecido do cólon. Uma maior nitidez das imagens facilita a detecção de condições pré-cancerosas e lesões malignas com mais precisão, inclusive aquelas de dimensões reduzidas que poderiam passar despercebidas em equipamentos convencionais, como detalham as pesquisas.
Instrumentos de exame equipados com até três câmeras oferecem campo de visão de 330 graus, em comparação aos 170 graus dos equipamentos tradicionais. Dispositivos complementares acoplados ao endoscópio também “esticam” e “achatam” o tecido do cólon para uma melhor visualização das partes que têm dobras ou curvaturas.
Para ampliar ainda mais a visibilidade, a startup AI-Lumen Medical apresentou uma câmera “retroview” durante a AGA Tech Summit de 2025. O dispositivo funciona como uma espécie de retrovisor acoplado ao aparelho, transmitindo imagens do que se esconde atrás das dobras do intestino, regiões onde, tradicionalmente, localizam-se de 20% a 25% dos pólipos que requerem atenção médica.
Cromoscopia digital substitui corantes químicos
A cromocolonoscopia virtual permite que o gastroenterologista altere o contraste do aparelho com apenas um botão, realçando a presença de adenomas. O recurso Narrow Band Imaging (NBI), por exemplo, utiliza filtros de luz para melhorar a visibilidade dos vasos sanguíneos intestinais, como detalham as pesquisas.
Segundo a FDA, o NBI atinge 93% de sensibilidade e 85% de especificidade na análise de pólipos muito pequenos. Áreas suspeitas identificadas pela técnica passam por colonoscopia com biópsia para análise patológica definitiva. O método pode, ainda, revelar problemas em estágio inicial, invisíveis sob a iluminação convencional.
Diferente da versão digital, a cromocolonoscopia tradicional utiliza um corante especial aplicado sobre o revestimento do cólon para destacar tecidos anormais. O procedimento é usado para a localização de pólipos planos ou com pouca elevação.
Também há avanços experimentais na área: pesquisadores desenvolveram um scanner óptico tridimensional para detecção de pólipos com precisão de 94 micrômetros. A tecnologia é capaz de identificar lesões de 6 milímetros por 3 milímetros, segundo estudo publicado no National Institutes of Health.
Rastreamento começa aos 45 anos
A faixa etária recomendada para início do rastreamento de câncer colorretal começa aos 45 anos, e não mais aos 50, segundo orientações do Rush University Medical Center divulgadas em 2025.
No Brasil, essa diretriz foi consolidada pela campanha Março Azul de 2025, promovida pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed) e a Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP). A antecipação busca responder ao aumento da incidência da doença em pessoas na faixa dos 40 anos.
Para grupos de alto risco, a regra é diferente e exige exames antes dos 45 anos. Quem possui parente de primeiro grau com histórico de câncer colorretal deve começar aos 40 anos ou dez anos antes da idade em que o familiar descobriu a doença, valendo o que ocorrer primeiro. Por exemplo: se o pai teve câncer aos 45 anos, o filho deve realizar a primeira colonoscopia aos 35.
Pacientes com doença inflamatória intestinal, como retocolite ulcerativa ou Crohn, devem iniciar o rastreamento de câncer após oito a dez anos de convivência com a doença diagnosticada. Já quem tem síndromes genéticas, como Síndrome de Lynch ou Polipose Adenomatosa Familiar, precisa começar na adolescência ou início da vida adulta. O período varia entre 12 e 20 anos, dependendo da síndrome específica e da orientação do geneticista.


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