SAEP. Emissário coletor de efluentes por gravidade é abandonado após ‘tubulação ser engolida por lama’

Um volume financeiro do SAEP, deverá um dia ser registrados nos cofres da autarquia municipal, isto devido a um registro de inconformidade na execução do emissário por gravidade e apuração de danos operacionais no trecho Rio/Batistella.
O início da obra teve como trecho inicial local localizado ‘atras do Engenho Batistella – da ponte da estrada de terra (continuação da Rua Manuel Leme Franco) até a entrada do Polo Industrial, porém, ouve uma paralisação atrás do Jardim Milennium, proximidades de uma elevatória.
Projetado pelo Engenheiro Dr. João Alex Baldovinotti, a implantação do emissário/coletor de efluentes por gravidade visava à desativação definitiva da Estação Elevatória de Esgoto (EEE) do Polo Industrial, bem como de outras, uma economia significativa do custo energético.

Nossa reportagem buscou junto ao ‘colunista’ CINCINATO, que nos últimos 40 dias, aprofundou-se, em suas ‘colocações’ que a autarquia municipal (SAEP), vem em enfrentando.
‘Nos próximos dias, nossa equipe vai colocar o drone no ar para mostrar de perto a situação do trecho da tubulação abandonada [parte mínima retirada e alguns kms soterrados]. O objetivo é trazer uma visão aérea inédita do local e detalhar o cenário atual. O voo está em fase de autorização no sistema de drones para garantir toda a segurança da operação. Acompanhe nossas redes para não perder os bastidores e o resultado dessa investigação’!
RELATÓRIO TÉCNICO DE ENGENHARIA E REGISTRO DE DADOS DE CAMPO
ASSUNTO: Registro de Traçado do Emissário por Gravidade e Levantamento de Prejuízos Operacionais por Negligência Executiva no Trecho do Rio/Batistella.
LOCAL DA OBRA: Trecho Engenho Batistella – Ponte da Estrada de Terra (Continuação da Rua Manuel Leme Franco) até a Entrada do Polo Industrial.
OBJETO: Implantação de Coletor/Emissário Efluente por Gravidade para Desativação Permanente de Estação Elevatória de Esgoto (EEE) no Polo Industrial.
1. DADOS DE CADASTRO E DIRETRIZES TÉCNICAS DO TRAÇADO
1.1. Georreferenciamento e Pontos Notáveis
Ponto de Conexão Inicial: Interligado ao emissário antigo existente, acompanhando o trecho de mata e o curso d’água ao lado do Engenho Batistella.
Acesso Principal: Subida pela Vila Real (sentido Cachoeira) até a altura dos prédios, acessando a rua paralela à rodovia nos fundos do Engenho Batistella, seguindo pela continuação de terra da Rua Manuel Leme Franco.
Ponto de Emenda/Transição: Localizado na reta da ponte da estrada de terra — exatamente 30 metros após a travessia do riacho, onde a tubulação foi conectada para dar sequência ao alinhamento assentado no sentido do Milênio.
1.2. Premissa do Projeto
Objetivo Primário: Captar todo o efluente de esgoto oriundo do Polo Industrial e encaminhá-lo por gravidade até ao ponto de conexão do emissário existente, ao lado do Engenho Batistela.
Benefício Operacional Esperado: Substituição do recalque pressurizado pelo escoamento gravitacional, tornando o conjunto motobomba obsoleto e permitindo a desativação total da EEE, eliminando custos recorrentes de energia elétrica, desgaste mecânico e manutenções emergenciais.

2. DIAGNÓSTICO DE CAMPO: MANEJO INADEQUADO E AMADORISMO EXECUÇÃO
Durante a vistoria realizada no período chuvoso (mês de janeiro), constatou-se a deixada da ponta da tubulação completamente aberta sem o devido tamponamento provisório (plug, chapa soldada/aparafusada ou alvenaria de vedação).
Falhas Críticas Observadas:
Ausência de Tampão Provisório: Inexistência de barreira física no terminal do tubo exposto na vala.
Exposição a Enxurradas: Vala escavada funcionando como canalizador de águas pluviais plenas de sedimentos diretamente para o interior do emissário.
Ausência de Manejo de Contenção Pluvial: Falta de leitos de proteção, berços de desvio e drenagem superficial da vala aberta.
3. CÁLCULO DE IMPACTOS, PREJUÍZOS E DANOS OPERACIONAIS
A negligência na proteção básica da boca da tubulação gerou uma reação em cadeia de danos técnicos e financeiros:
A. Assoreamento Total e Compactação de Material no Interior do Emissário
Mecanismo do Dano: O fluxo de enxurrada carregando solo argila-arenoso saturou o interior da tubulação assentada. Com a cessação da chuva, o barro se adensou no interior dos tubos, formando blocos rígidos de difícil remoção.
Consequência Executiva: O trecho perdeu integralmente a seção útil de escoamento.
B. Mobilização Ociosa e Custo de Maquinário Pesado (Escavadeira PC)
Tempo Perdido de Maquinário: A escavadeira hidráulica (PC) permaneceu retida no trecho por mais de 20 dias exclusivamente para apoiar a desobstrução, remoção mecânica e retrabalho de vala.
Custo-Hora Improdutivo: Consumo indevido de horas-máquina e hora-operador, travando a sequência lógica do cronograma físico-financeiro da obra em outros frentes.
C. Desestabilização Geotécnica de Vala Funda e Perda de Aterragem
Perda de Sustentação do Solo: O acúmulo prolongado de água no fundo da escavação causou encharcamento da base, risco alto de solapamento de taludes e perda da capacidade de suporte.
Perda do Colchão de Assentamento: O berço de brita/areia foi lavado pela água pluvial, gerando deformações do greide, riscos de desalinhamento das juntas dos tubos já assentados e necessidade de refazer o gabarito e a cota de fundo da vala.

ESTIMATIVA MENSURÁVEL DOS DANOS E RETRABALHO
Item Descrição do Prejuízo / Retrabalho Impacto Direto Custo Técnico Associado
01 Hidrojateamento e Sucção Pesada Necessidade de equipamento especial de alta pressão para desobstrução de lama compactada no tubo. Custo extraordinário de empresa especializada.
02 Horas-Máquina PC (20+ dias) Retenção indevida de Escavadeira Hidráulica dedicada ao retrabalho e desobstrução de vala. Perda de produtividade + locação/combustível de 20 dias.
03 Refazimento de Berço e Escavação Reescavarão de trecho solapado, remoção de lama e substituição de material do berço de assentamento. Custo adicional de insumos (brita/areia) e mão de obra.
04 Atraso Geral de Cronograma Paralisação do avanço até a limpeza total, adiando a desativação da EEE. Custo mantido de energia/manutenção da EEE antiga por mais tempo.
5. CONCLUSÃO E NOTA DE REPROVAÇÃO TÉCNICA
A ocorrência descrita não se configura como fatalidade decorrente das chuvas de janeiro, mas sim como grave falha de gestão, amadorismo técnico e desmazelo operacional na execução da obra.
O custo de prevenção (confecção e instalação de um plug/tampão de madeira ou alvenaria simples na extremidade do tubo) representa uma fração insignificante perto do prejuízo gerado por hidrojateamentos, danos geotécnicos e retenção de maquinário pesado por mais de 20 dias.
ESTUDO COMPLETO SOBRE O BARRO ADENSADO A SETE METROS DE
PROFUNDIDADE DENTRO DE UMA TUBULAÇÃO.
1. Volume Total de Barro Seco e Compactado
Para calcular o volume do duto interno de quase 2.000 metros de extensão com diâmetro interno de 600″ mm” (0,60″ m” ):
Raio interno (r): 0,30″ m”
Área da seção transversal (A):
A=π×r^2=3,14159×(0,30)^2≈0,2827〖” m” 〗^2
Volume total de barro (V):
V=A×”Comprimento”=0,2827〖” m” 〗^2×2.000″ m”≈565,5〖” m” 〗^3
são mais de 565 metros cúbicos de lama e barro puros selando a tubulação de ponta a ponta. Isso equivale à caçamba cheia de cerca de 47 caminhões basculantes trucados!
Peso Aproximado da “Bucha” de Barro
O solo argiloso e silte arrastado pela enxurrada, ao secar e adensar dentro do duto, atinge uma massa específica seca de solo compacto (γ_”seco” ) de aproximadamente 1,8〖” t/m” 〗^3 a 1,9〖” t/m” 〗^3.
Massa/Peso Total (M):
M=565,5〖” m” 〗^3×1,85〖” t/m” 〗^3≈1.046″ toneladas!”
É mais de 1 MILHÃO de quilos de barro calcificado travando o emissário!
Nenhuma bomba de hidrojateamento do planeta tem pressão para empurrar uma bucha de mil toneladas a 2 quilômetros de distância.
A Física do “Forno Geotérmico” a Sete Metros de Profundidade
A temperatura e o comportamento térmico na vala profunda:
Efeito Estufa e Confinamento Térmico: O ar quente fica preso na tubulação sem circulação. A tubulação de concreto retém a caloria do solo.
Gradiente Geotérmico e Condução: A sete metros de profundidade, a terra não recebe a brisa da superfície. A temperatura do solo permanece elevada e constante, acelerando a perda de umidade do barro argiloso (secagem por evaporação rápida).
Encolhimento e Reação Adensada (Resistência de Tijolo): O solo de Pirassununga, rico em argila, ao perder água rapidamente sob confinamento
e alta temperatura, sofre um processo de cura/adensamento por secagem. Ele passa do estado plástico para o estado rígido (duro como tijolo cozido).
O barro não virou apenas “sujeira”; ele virou uma rocha sedimentar artificial de quase 2 km de comprimento grudada nas paredes do concreto por sucção e atrito interfacial!
2. O Veredito Técnico
Tentativa por água (Hidrojateamento): Inútil. A água da mangueira só bate na “cara” da rocha de barro de 1.000″ toneladas” e volta. Não há vazão nem energia cinética para dissolver 2 km de solo curado.
Tentativa mecânica: Impossível. Não existe fita ou cabo de aço de 2.000 metros que consiga perfurar e puxar essa massa sem arrebentar no meio do caminho.
O CUSTO DA “TENTATIVA FRUSTRADA” DE DESOBSTRUÇÃO

Tentaram desobstruir e viram que era impossível. O uso de caminhões de hidrojateamento de alta pressão (Sucker/Seewer), bombas, equipes de funcionários do SAEP em espaço confinado e tentativas mecânicas geram um custo diário altíssimo.
Custo estimado gasto na tentativa inútil de desentupir: “R” $150.000,00″ a R” $250.000,00.
Resumo da incompetência e o Impacto Real: Deixar a “boca” aberta sem um tapume/cap de R$ 200,00 permitiu que a natureza fabricasse 1.046 toneladas de concreto de lama dentro do patrimônio público. O SAEP investiu R$ 2,03 milhões em uma obra que deveria zerar a conta de luz e manutenção da elevatória, mas acabou com o capital perdido no chão E a conta de energia e manutenção eletromecânica continuando a chegar todo mês.


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