Obras de galeria de águas pluviais do SAEP do Cerrado de Emas, ao Rio Mogi Guaçu em Cacheira de Emas

CARTA ABERTA AO POVO DE PIRASSUNUNGA
EDIÇÃO 04 (Continuação da Edição 03)
Por Cincinato
Veículo: Jornal “Repórter Naressi”
Diante da enorme repercussão da Edição 03, vale um esclarecimento técnico indispensável ao leitor atento:
A placa da obra em Cachoeira de Emas ostenta o orçamento global de R$ 4.923.397,10. Esse valor total engloba toda a infraestrutura do projeto: caixas de passagem, poços de visita, bocas de lobo, recomposição do asfalto e a estrutura de lançamento na foz do Rio Mogi Guaçu. O valor de R$ 2,57 milhões que calculamos na edição anterior refere-se exclusivamente à etapa da tubulação (aquisição dos tubos, escavação da vala e assentamento).
A gravidade revelada é que a “gambiarra” da linha dupla e a abertura de uma vala desmedida de 5 metros inflaram essa fatia da tubulação para astronômicos R$ 4,31 milhões. Ou seja: a improvisação engoliu quase todo o orçamento da obra inteira apenas abrindo buraco e assentando tubos, sem deixar margem financeira para concluir o restante do projeto. Por isso a obra parou pela metade!
DOSSIÊ TÉCNICO E INVESTIGATIVO:
Mapeamento Hidrológico vs. A “Gambiarra” de Estoque do SAEP
1. DIAGNÓSTICO TÉCNICO DA BACIA (MÉTODO RACIONAL)
Para avaliar se a troca do projeto original de ∅ 1.200 mm para a linha dupla de ∅ 1.000 mm possuía qualquer respaldo hidrológico, realizou-se o levantamento dos parâmetros da bacia da Vila Santa Fé, que contribui para a calha paralela à Rodovia Euberto Nemésio Pereira de Godoy (SP-201):
- Área de Contribuição (𝐴): 50 hectares (500.000 m2) de área urbana consolidada.
- Coeficiente de Escoamento Superficial (𝐶): 0,65 (alta impermeabilização por asfalto e coberturas).
- Tempo de Concentração (𝑡𝑐): 20 minutos.
- Tempo de Retorno (𝑇𝑅): 50 anos (padrão de segurança exigido pelo DER/DNIT para travessias e macrodrenagem).
- Intensidade da Chuva de Projeto (𝐼): 115 mm/h (curva IDF de Pirassununga).
Cálculo da Vazão de Pico (𝑸pico):
𝑄 pico = 𝐶 ⋅ 𝐼 ⋅ 𝐴 (360)= 0,65 × 115 × 50 (360) = 𝟏𝟎, 𝟑𝟖 m𝟑/s (10.380 L/s)
(Fixando em até 13,00 m3/s ao considerar margens de segurança para futura expansão urbana).

2. O CONFRONTO DAS CAPACIDADES HIDRÁULICAS
| Parâmetro | Projeto Original (∅ 1.200 mm) | Execução em Campo (Linha Dupla ∅ 1.000 mm) |
| Capacidade de Vazão (𝑄) | 16,34 m3/s | 20,06 m3/s |
| Demanda da Bacia (𝑄pico) | 10,38 a 13,00 m3/s | 10,38 a 13,00 m3/s |
| Margem de Folga Técnica | +25% de folga garantida | +93% (Superdimensionado) |
| Veredito Hidráulico | Perfeitamente dimensionado | Tecnicamente desnecessário |
3. AS TRÊS VERDADES QUE DESMONTAM A NARRATIVA OFICIAL
3.1 O Projeto Original Não Tinha Falha Hidráulica:
A linha simples de ∅ 1.200 mm comportava com folga a maior tempestade prevista para os próximos 50 anos na Vila Santa Fé (16.340 L/s de capacidade contra 10.380 L/s de demanda
máxima). Qualquer alegação de que “a linha simples não aguentaria o volume de água” é pura mentira técnica.
3.2 O Motivo Real Foi a “Quebra” do Caixa e a “Raspa do Estoque”:
Sem caixa financeiro para adquirir a tubulação de ∅ 1.200 mm prevista no contrato de R$ 4,9 milhões, a autarquia optou por usar os tubos de ∅ 1.000 mm que já estavam estocados no pátio do SAEP.
3.3 O Custo do Improviso e o Colapso da Obra:
Para assentar a linha dupla improvisada, foi necessário abrir uma vala absurda de 5 metros de largura, elevando a movimentação de terra em 150% (27.150 m3). O estoque de tubos do pátio cobriu apenas 800 metros, momento em que os tubos acabaram e a obra foi abandonada pela metade, gerando um sobrecusto inútil de R$ 1,75 milhão.
SÍNTESE PARA O POVO E PARA A CÂMARA MUNICIPAL
Se a autarquia ou seus representantes se defenderem dizendo que alteraram o projeto para “melhorar a vazão”, este relatório prova matematicamente que o projeto original já atendia a bacia com folga.
A mudança ocorreu exclusivamente para mascarar a falta de tubos e a falta de dinheiro em caixa.
Atenção, Senhores Vereadores: Até quando este desmando e essa tentativa de mascarar a engenharia hidráulica vão durar em Pirassununga? Até quando assistiremos a essa desastrosa “Gestão de Estoque e Falência de Planejamento no SAEP”?

Pirassununga, julho de 2026.
p/ Cincinato.


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