URGENTE. ‘Cincinato e a Engenharia da Fantasia’: O Sobrecusto de R$ 1,75 Milhão na Galeria de Cachoeira de Emas autoria do SAEP

Cincinato e a Engenharia da Fantasia: O Sobrecusto de R$ 1,75 Milhão na Galeria de Cachoeira de Emas
Por Cincinato
Há uma máxima na engenharia e no saneamento que ensina: a água cobra o preço da negligência, mas o cidadão cobra o preço do improviso.
Ao caminhar pelas ruas de Pirassununga, o suplício do nosso pavimento é evidente. Crateras e asfalto esfarelado não são meros acasos meteorológicos; são o sintoma visível da ausência de uma política séria de macro e micro drenagem urbana. Tratamos a ferida na pele com o eterno “tapa-buraco”, mas ignoramos a infecção por baixo. Contudo, se na superfície o improviso salta aos olhos, no subterrâneo a chamada “engenharia da fantasia” se supera e cobra uma conta estratosférica.
O exemplo mais gritante dessa gestão opera na região de Cachoeira de Emas, na obra da “futura” galeria de águas pluviais que deveria conectar a Vila Santa Fé ao Rio Mogi Guaçu.
Uma placa imponente ostenta o valor de R$ 4.923.397,10 (com a indicação explícita de RECURSO PRÓPRIO), prometendo a execução de 1.810 metros com tubos de concreto de diâmetro de 1.200 mm.
No entanto, a realidade do terreno desmascara a falta de planejamento básico. Quem conhece a geologia local sabe que o leito do Mogi Guaçu repousa sobre rocha granítica. Faltou a primária e indispensável sondagem geotécnica preliminar. O resultado? Ao escavar a mais de 4 metros de profundidade, a obra parou na rocha.
Diante do imprevisto previsível, em vez de se adequar o projeto com rigor técnico, testemunha-se uma solução improvisada e financeiramente desastrosa: a substituição da linha simples de diâmetro 1.200 mm, pôr duas linhas paralelas de diâmetro 1.000 mm, alterando toda a hidráulica e a estrutura da vala à revelia da placa.
Do ponto de vista puramente hidráulico, a linha dupla de diâmetro 1.000 mm, até oferece uma capacidade de escoamento maior do que a linha de diâmetro 1.200 mm (20,06 metros cúbicos por segundo, contra 16,34 metros cúbicos por segundo). Porém, trata-se de um dimensionamento desnecessário para a bacia e que impõe um custo desproporcional e devastador para os cofres do SAEP.
Calculando na ponta do lápis os quantitativos de engenharia para a profundidade média de 3 metros e a largura real da vala aberta em campo — que atinge impressionantes 5 metros de largura devido à falta de escoramento e necessidade de taludamento —, a escolha pela linha dupla altera dramaticamente a conta:
- Explosão no Movimento de Terra: A largura da vala salta do projeto ideal de 2 metros para para incríveis 5 metros. Isso exige um aumento absurdo de 150% no volume de escavação e reaterro (10.860 metros cúbicos, para 27.150 metros cúbico ao longo do trecho total).
- Duplicação de Insumos e Equipamentos: Dobra-se a metragem de tubos adquiridos (3.620 metros de tubos em vez de 1.800 metros), além de multiplicar as horas-máquinas de escavadeiras, Munck, caminhões basculantes e a massa de rejunte para as juntas ponta-e-bolsa.

Se o projeto original em linha simples de diâmetro de 1.200 mm custaria estimado R$ 2.570.200,00 para os 1.810 metros, a “criatividade” da linha dupla eleva o custo total da tubulação para R$ 4.316.850,00.
Trata-se de um PREJUÍZO DIRETO E DESNECESSÁRIO DE R$ 1.746.650,00 aos cofres públicos — um encarecimento avassalador de quase 70% sobre o custo previsto.
E a ironia máxima da incompetência de gestão não para por aí: após executarem apenas 800 metros dessa linha dupla inflacionada, a obra foi paralisada por “falta de tubos de 1.000 mm em estoque”. Gastou-se uma fortuna para não entregar nem metade do percurso!
Não se trata de criticar por criticar, mas de exigir o mínimo: respeito ao dinheiro do contribuinte e primazia técnica. Pirassununga assiste perplexa à transformação da engenharia em uma cara e perigosa obra de improvisações. Nossa cidade e o cofre do SAEP merecem mais do que paliativos, gambiarras e desperdício. Merecem responsabilidade.
ANEXO TÉCNICO E MEMÓRIA DE CÁLCULO (PARA IMPRENSA E AUDITORIA)
- Hidráulica de Condutos Livres (Equação de Manning)
A capacidade de vazão plena () para conduto circular é dada por:

Onde: (rugosidade do concreto),
(declividade) e (raio hidráulico).
- Projeto (1.200 mm):

- Executado (Linha Dupla de 1.000):

- Geometria de Vala e Geotecnia Reais (Dado de Campo – 5,00 m)
Para profundidade média h = 3.,00 m ao longo de L =1.810 m:
- Largura Vala Simples Projeto (1.200 mm): B1 = 2,00 m – V1 = 2,00×3,00×1.800 metros cúbicos igual 10.860 metros cúbicoa.
- Largura Vala Dupla Executada (1.000 mm): B2 = 5,00 x 3,00 x 1.810 = 27.150 metros cúbicos
- Aumento no Movimento de Terra: = + 16.290 metros cúbicos de escavação e reaterro compactado (+150%).
- Resumo do Sobrecusto Total (1.810 m)
- Custo Total da Linha Simples (diâmetro de 1.200 mm): R$ 2.570.200,00
- Custo Total da Linha Dupla Executada (diâmetro 1.000 mm): valor é de R$ 4.316.850,00
- PREJUÍZO ACUMULADO AO SAEP: R$ 1.746.650,00 (+68%).

Pirassununga, julho de 2026.
p/ Cincinato.


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