A Crise das ADIs nas Escolas Municipais de Pirassununga: O que está em jogo?

A falta de Agentes de Desenvolvimento Infantil (ADIs) nas escolas municipais de Pirassununga é clara e evidente. Em todas as sessões, o Poder Legislativo cobra um posicionamento da Secretaria Municipal de Educação para aumentar o número dessas profissionais, porém, nada é feito.
Para piorar a situação, há a possibilidade de, as ADIs iniciarem uma greve sem precedentes na semana que se inicia. Com isso, os alunos da rede municipal que necessitam de apoio — e que já estão sem a assistência ideal — correm o risco de ficar totalmente desamparados.
Diante desse cenário, restam as perguntas: Quais serão os impactos? O que pode acontecer com as crianças? O que os pais devem fazer? O Poder Judiciário pode intervir? Afinal, o Legislativo tem se limitado a cobrar exaustivamente, mas, até o momento, não se posicionou sobre a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a fundo a situação precária das ADIs no município.
Respostas para as suas perguntas (Análise do Cenário)
Para te ajudar a contextualizar ainda mais o debate, aqui está um resumo do que pode acontecer juridicamente e na prática:
1. Quais são os impactos e o que pode acontecer?
- Prejuízo Pedagógico e Social: As ADIs são fundamentais para a inclusão de alunos com deficiência ou em fase de desenvolvimento inicial. Sem elas, a rotina escolar é desestabilizada.
- Sobrecarga dos Professores: Os professores regentes acumulam funções, o que diminui a qualidade do ensino para toda a sala.
- Evasão e Faltas: Muitos pais de alunos que dependem diretamente de ADIs acabam deixando de enviar os filhos à escola por falta de segurança e suporte.
2. O que os pais devem fazer?
- Cobrança Coletiva: Organizar-se por meio do Conselho de Escola ou Associação de Pais e Mestres (APM).
- Denúncia ao Ministério Público (MP): O direito à educação e à inclusão é garantido pela Constituição e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Os pais podem acionar o MP da comarca de Pirassununga para relatar a falta de profissionais.
- Formalização: Protocolar reclamações diretamente na Secretaria Municipal de Educação para gerar registros formais da falta de atendimento.
3. O Poder Judiciário pode intervir?
- Sim. Se o Ministério Público ou a Defensoria Pública forem acionados (ou por meio de uma ação civil pública), o Judiciário pode determinar que a Prefeitura contrate profissionais em caráter de urgência ou realize concurso/processo seletivo sob pena de multa diária ao prefeito ou secretária.
- A educação especial/inclusiva é um direito subjetivo público; o município não pode alegar “falta de verba” para negar esse atendimento.
4. Sobre o papel do Legislativo (Abertura de CEI)
- A Câmara de Vereadores tem o papel de fiscalizar. Para abrir uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) ou Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), é necessário que um terço dos vereadores assine o requerimento apontando um “fato determinado” (ex: omissão administrativa ou má gestão de recursos da educação).
- A pressão dos pais nas galerias da Câmara durante as sessões costuma ser o gatilho mais eficiente para forçar os vereadores a saírem do discurso e assinarem a abertura da comissão.
Imagem – Reprodução do Facebook


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