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Sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

Cepta pede prorrogação da piracema por mais 1 mês no Rio Mogi Guaçu

 20/02/2014


O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Peixes Continentais (Cepta) encaminhou nota técnica ao Ministério da Pesca e ao Ministério do Meio Ambiente pedindo a prorrogação do prazo da piracema até 31 de março no Rio Mogi Guaçu, em Pirassununga (SP), e em outros três que cortam as regiões de Campinas, Ribeirão, Sul e Sudoeste de Minas Gerais. O prazo de proibição da pesca terminaria no dia 28, mas a estiagem prejudicou a reprodução dos peixes.

Baixo nivel da água é um dos fatores para a prorrogação


Fotos: Antonio Felippe

O coordenador do Cepta, Antônio Fernando Bruni Lucas, explicou que o objetivo do documento é alertar sobre os riscos de liberar a pesca depois de um período longo sem chuvas. “Necessitamos dessa prorrogação porque o nível dos rios está muito baixo, parte dos estoques não desovaram e a outra parte está presa em bolsões”, explicou.

Segundo o coordenador, com a estiagem deste ano 85% dos peixes continentais não conseguiram subir até o lar de reprodução e perderam a época de desova. A ideia da prorrogação é permitir que os 15% que estão presos nos bolsões se reproduzam e não sofram a pressão da pesca.

Rio Mogi Guaçu em Pirassununga, SP (Foto: Reprodução EPTV)
Cepta possui um plano de ação de preservação do Rio Mogi (Foto: EPTV)

Prejuízos
O Cepta possui um plano de ação nacional de preservação dos Rios Mogi, Pardo, Sapucaí - Mirim e parte do Rio Grande. Nesta região, existem 14 espécies de peixes ameaçadas de extinção. “A preocupação é de que esses peixes acabem sendo capturados e não consigam se reproduzir no ano que vem", disse Lucas.

Além de prejudicar a reprodução, a estiagem tem causado a mortandade de peixes em rios da região. “Diminuiu a quantidade de água, devido à falta de chuva e a quantidade de matéria orgânica continua descendo pelo rio. Isso faz com que os peixes percam oxigênio que é vital para eles”, afirmou o coordenador.

Recuperação
A recuperação de espécies encontradas mortas no Rio Mogi Guaçu, em Porto Ferreira (SP), no sábado (15), pode levar até cinco anos, segundo o analista ambiental do (Cepta), Paulo Sérgio Ceccarelli. A mortandade atingiu 15 espécies, que foram encontradas às margens do rio.

O centro também prevê uma quebra na produção de mais de 30 toneladas de peixe. O prejuízo vai ser percebido nos próximos anos. “Vai faltar peixe. Para recuperar o impacto dessa seca não é com a primeira desova. É pelo menos quatro a cinco desovas. Uma seca dessa pode ter repercussão, no mínimo, até oito anos”, disse Ceccarelli, em entrevista ao Jornal da EPTV do dia 5 de fevereiro.

Peixes mortos na margem do rio em Porto Ferreira (Foto: Fabio A. de Souza/Arquivo pessoal)Peixes mortos na margem do rio em Porto Ferreira (Foto: Fabio A. de Souzal)


G1.com

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